TEDxRioVermelho

preload

amor fragmentado, resíduos emaranhados.

esse ano eu conheci algumas garotas exemplares. não que elas tenham sido as primeiras. e, não, eu não tive necessariamente a “honra” de ser objeto de desejo delas. ainda bem(?) elas não eram mulheres comuns, eram sofisticadas; não necessariamente inteligentes, num sentido comum, mas extremamente hábeis na arte da dissimulação, manipulação e representação pública.

não se chamavam Amy, como no filme, nem cabe aqui nomeá-las. elas podem mudar de nome como quem projeta um novo personagem para uma nova audiência, uma plateia. e, não quero dizer com isso que elas estejam ensaiando. sua trajetória pessoal as preparou para esse momento.

perdoe-me se ofendi o seu intelecto, não quero parecer vulgar ao simplificá-las a meras vítimas do seu destino carrasco. elas são senhoras do próprio destino, quando lhes convém. peço licença às feministas, mas sim, o feminismo é uma arma calibrada e completamente munida na mão de garotas exemplares. quando necessário, claro. ah, não só isso. se sua trajetória pessoal constrói uma narrativa de vida que possa por em perigo a narrativa das garotas exemplares, você será invisibilizado. no maior sofrimento ou no maior sucesso, tudo é razão para o descontentamento delas. independente de seu credo, cor, gênero ou orientação. não esqueça que tratamos de uma garota intensamente vaidosa e mimada.

aqui não digo que o papel da vítima não possa vir à cena, desde que alimentado pelas fagulhas certas, ou melhor, pelos resíduos adequados. e toda ponta solta de relações mal resolvidas, de frustrações, de retalhos mal bordados, é insumo para alimentar narrativas de adesão. não digo sobre vinculação. as garotas exemplares não conseguem elaborar bem essas interações sem alguns copos de vodka ou taças de vinho. o sexo é o caminho mais próximo do que elas podem aspirar do afeto, do amor.

as garotas exemplares te dão o que te falta. é na leitura, ou testagem, da sua incompletude que elas projetam o desejo humano mais primitivo, de se conectar, de se sentir amado, de se sentir. repara que eu falei em projeção, uma miragem útil, pelo tempo que elas precisam para que seu hospedeiro lhes dê o que ela precisa. daí, alimentadas, elas podem germinar ervas daninhas em todas as relações mais significativas dos seus objetos de desejo, que são antes de tudo, ideias de um objeto inalcançável. eu não estou falando de impossível, mas de algo que deseja-se não ser realizado. o mais interessante é que existe uma linha tênue por onde as garotas exemplares se equilibram: o esforço desesperado em evitar o abandono (imaginário ou não) e a idealização de uma vida a dois shakesperiana.

você pode traçar similaridades com garotas com transtornos psicológicos fronteiriços. o que eu quero dizer é que isso não descreve garotas exemplares. nem chega perto! e, não, por favor. elas não são as vilãs. não digo com isso que sejam as vítimas. não sei quem inventou isso, no final das contas, mas é essa a construção exemplar, diga-se de passagem.

passo, então, para um pedido: peço que não se assuste com o que tenho para te contar agora. as garotas exemplares podem estar em sua própria
casa, ou já ter adentrado aí. elas podem, inclusive, ser mãe ou a sua mãe. calma, não é o fim do mundo. elas só entrarão, se você abrir a porta e as convidar para entrar. e eu não tô falando mais de sua casa. se aviso fosse bom, não se dava, mas eu deixo meu conselho, em caso de você se deparar com uma garota assim: exista, deseje, resista e refaça sua narrativa, relações e laços. não ouse bancar a pessoa que não esperava isso acontecer. isso não vai colar, nem vai te livrar desse infortúnio. deixa-a ser para quem precisa de uma garota exemplar.

Por Paulo Mateus Cunha
@followmateus

Reply comment